sonhos-remendados:
Antes de partir deixa eu tocar pela última vez no seu cabelo, deixa eu te mostrar a nossa trilha sonora e dançar para você, mesmo fora do ritmo. Antes de partir deixa eu gravar teus olhos nos meus, teu nome na minha pele de um jeito único e só nosso. Não te imploro um último beijo, mas deixa eu sentir o seu gosto só mais uma noite. Deixa eu te enganar com uma verdade e fazer de você a minha melhor mentira, deixa?
Larissa Santos.
sonhos-remendados:
Eu gostava de entrar naquele quarto e sentir o nosso cheiro da noite passada. Era cheiro de desejo, cheiro de amor. Amor correspondido. Acho que por isso que eu tanto insisti pra que você voltasse, mesmo sabendo que você não queria ir. A vida é assim e eu nunca vou entender. Fico pensando antes de dormir ”como podemos nascer um pro outro e ter direções diferentes?”. Porque esse foi o problema, a direção. A direção dele era contrária da minha e isso me enlouquecia aos poucos, era difícil sentir tranquilidade mesmo com tanto amor. Algo ficava dentro de mim flutuando mais que aquelas borboletas clichês que eu já li em outros textos. Acho que por você eu sentia além das borboletas, além das pernas bambas, além de muita coisa. Era tanto amor que doía. Enfim consegui dizer a coisa certa pelo menos uma vez antes de ver você partindo. E eu te pedia pra ficar, vendo o seu corpo mais distante. Te pedia pra voltar, perdendo você de vista. Você tentava me explicar, tentava prometer que no ano seguinte íamos nos ver, mas a promessa não saia da sua boca, eu só sentia. Te espero aqui todos os dias e não ligue pras mudanças que ocorreram. To com outro cheiro e esse cheiro pede o seu perfume pra ser misturado, to mais eu com falta de você.
Larissa Santos.
sonhos-remendados:
amigodoacaso:
Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
O quase - Luís Fernando Veríssimo.
sonhos-remendados:

Aí você passa a pedir todas as noites antes de dormir para que Deus não tire aquela pessoa da sua vida, que cuide como se fosse todo o seu apoio, porque ela é o apoio. Tem todos os motivos pra querer estar perto e todos os motivos pra não suportar a ideia de ver longe. Sorri depois daquele breve ”tchau” e exige a presença naquela hora, naquele dia, sabendo que não é tão fácil assim. Você tem suas historias, eu tenho as minhas historias, e acima de tudo, temos as nossas historias, por fim.. uma historia só. Passa o dia vendo que não se faz mais amigos como antigamente e vê que nesse antigamente você não foi preciso estar. Não bastou morar na mesma rua, não bastou morar na casa ao lado, não bastou ser amiga da minha irmã. Tinha que ser mais, tinha que ir mais além.. tinha que ser a melhor amiga, a minha. As vezes paro a tarde pra pensar no que você está fazendo. Penso a noite se você vai querer estar comigo na pequena parte da manhã do dia seguinte e em outro dia, vejo que o nosso ”não” querer bateu e nenhuma das duas pode se sentir culpada. Depois vejo que o seu querer não é o mesmo que o meu e fico quieta na minha, até depois chegar a sua vez de ver isso em mim. Enfim, aqui está a sua amiga que complica tudo, que embola tudo e que você deve ter muito orgulho. Na realidade, orgulho tenho eu por ter você assim, tão cuidada, tão protegida e por me tornar mais ainda. Que seja sempre necessário várias vidas pra agradecer e te fazer permanecer, que seja sempre uma das melhores coisas do mundo poder rir, sorrir, chorar, compartilhar, comer ao seu lado. Que toda vez que eu te irrite você veja como é sentir a minha presença ali e guardar aquele momento pra anos depois ou pra poder lembrar no final da semana. Vemos o grau da amizade quando ela se torna família. É tanta harmonia, é uma coisa tão gostosa de sentir e poder sentir por mais milhares de vezes. É o meu apoio, é o meu refúgio. Eu vou sempre querer mais do que eu posso ser pra você, vou sempre querer sentir mais quando for em relação a nós. Só quero poder cuidar de você em todos os lugares que eu estiver, em todos os momentos, em todas as horas, sendo em qualquer pequena, média, grande, infinita distância. E não basta agradecer por você aturar todas as minhas idiotices, retardos e falhas. Não basta agradecer pelas coisas inesperadas que você faz acontecer ou pelos sorrisos trocados e olhares tão expressivos. Não basta agradecer por uma amizade tão linda assim. Eu quero o seu bem antes do meu pra que assim eu possa receber o meu vindo de você. Eu quero que todos os dias você possa lembrar de mim como alguém que mesmo na saudade, na ausência ou em qualquer ocasião, gosta de estar perto e te tem tão guardada, incapaz de deixar ser levada por qualquer outra coisa. É pra você sentir o quão grata eu sou e o quanto meu orgulho não existe quando se trata de nós. Não é preciso nada em troca, tenha certeza. Que cada tapa que eu receba de você, seja uma declaração sua, querendo me dizer que somos as melhores pessoas quando estamos juntas e que cada coisa-dita-sem-necessidade, cada pergunta-idiota-pensamento-idiota-fala-idiota que você recebe, seja o que o meu coração fica a explodir de tanto amor, daí ele transborda e causa esses pequenos-assustadores transtornos. Vai ser você a madrinha de todos os meus filhos e não um só, vai ser você a madrinha da minha formatura, da minha casa nova (sentiu, né? u_u). E toda a saudade que fica guardada com a gente, aumente o amor que sentimos e a vontade de querer isso pra sempre. Você não faz ideia do quanto eu te amo, não faz ideia do quanto esse amor é lindo e me faz bem, me faz melhor. É uma vontade de cuidar descontroladora, é uma vontade de poder voltar a todos os momentos e de estar em todos daqui a uns dias, a uns anos. É uma vontade de saber se algo pode dar errado, pra antes mesmo poder consertar. É vontade de pegar todas as suas dores pra mim só pra você se sentir mais leve. É vontade de conseguir explicar tudo isso, e depois, ver que não importa muito. É uma vontade de provar que essa união é mais forte e que ninguém separa, impossível de substituir. É vontade de dizer que Eu amo você e que isso nunca foi da boca pra fora.
ivalentim:
Tudo é medo. Eu vivo com medo. Eu sou o medo. Tenho medo até quando vou me levantar da cama e piso no chão. E se ele se abrir agora, aqui? E se for frio demais, ou tiver algum caco de vidro? E se eu pisar em falso e levar um tombo? Por que diabos eu não posso voltar pra cama e dormir? Pelo menos é seguro. Ah, mas eu tenho medo de ter pesadelo. E se eu estiver dormindo e parar de respirar e morrer e fim? E se eu cair da cama? E se tudo acontecer quando eu estiver dormindo? E… olha, tá vendo? Odeio isso. O mundo é tão finito, incerto, assombroso. Eu só queria sentir um tiquinho de segurança em alguma coisa. (Iolanda Valentim)
ivalentim:
Sabe como é difícil não parecer louca? Vivo reprimindo a vontade de gritar no meio da multidão. A vontade de me jogar no chão e chorar feito um bebê quando tô andando pela calçada porque meu coração ta apertado e o mundo é idiota e eu sou só uma criança. Sufoco o desejo de bater na cara de gente idiota contando até dez. Queria sair correndo de uma conversa chata em vez de ter que prestar atenção e rir nas horas apropriadas. Queria… queria poder fazer o que eu quero, não o que eu sou obrigada à fazer porque é o certo e ponto final. Queria correr pra você, me esconder em você, respirar você. Mas não. Vivo me escondendo, encenando, fingindo, aceitando, engolindo, seguindo em frente, me conformando, fazendo o que é certo, falando baixo, ouvindo os outros e blá blá blá. Agora diz, quando é que eu vou fazer o que eu quero nessa vida sem parecer uma louca desvairada? (Iolanda Valentim)
presidiario:
O tempo que eu tenho de sobra assemelha-se ao resto dos tempos que as outras pessoas perderam por escolha própria, em plena consciência. Como os frutos que só caem envenenados de tanta esperança, aguardando o prodígio na flor da idade que passa justamente enquanto estamos de olhos fechados. Como…
ivalentim:
Deitei na cama e suspirei pesadamente. Pela primeira vez no dia, parei de sufocar o que eu realmente sentia e permiti que doesse um pouquinho. Às vezes é bom, sabe? Deixar a ferida meio aberta. Tenho medo de esquecer algum dia. Tenho medo de virar só uma lembrança, como as outras.
Falei, baixinho, com medo até de eu mesma me ouvir dizendo isso:
— Sinto sua falta.
Tipo, muita.
Tipo de ser difícil respirar quando penso em você, literalmente. Literalmente mesmo. Um dia desses perguntei se era normal isso à uma amiga. Incrivelmente ela já sentiu isso, até me senti melhor de não ser a única tonta no mundo.
E todo meu corpo ficou pesado demais. Afundei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos, ciente do nó na garganta e do aperto no peito (Será que tem remédio pra isso? Será que mata?). Até quando isso, pelo amor de Deus?
Dormi com a promessa mental que eu faço todas as noites: amanhã passa.
(Iolanda Valentim)
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Hidden words!
Sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto.
(Teatro dos Vampiros,
Renato Russo)
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